Um dos cenários mais assustadores alguma vez explicados pelo astrofísico Neil deGrasse Tyson parte de uma pergunta aparentemente simples: o que aconteceria à humanidade se o Sol desaparecesse subitamente?
A resposta é muito menos tranquilizadora do que parece.
Segundo Tyson, durante alguns minutos ninguém perceberia que algo tinha acontecido. Depois disso, a Terra entraria rapidamente num cenário de escuridão, frio extremo, colapso da cadeia alimentar e, a longo prazo, extinção da humanidade à superfície.
Durante oito minutos e 20 segundos, ninguém perceberia nada
Tyson explicou este cenário teórico no programa Neil deGrasse Tyson Explains Everything.
Segundo o astrofísico, se o Sol desaparecesse instantaneamente, a Terra continuaria aparentemente normal durante cerca de oito minutos e 20 segundos.
A razão está na distância entre o Sol e o nosso planeta.
A luz solar demora aproximadamente esse tempo a chegar até nós.
“Não saberíamos nada durante oito minutos e 20 segundos.”
Durante esse período, continuaríamos a receber a luz que já estava a viajar pelo espaço antes do desaparecimento hipotético do Sol.
Depois disso, tudo mudaria de uma vez
Passados esses minutos, a situação tornar-se-ia completamente diferente.
Segundo Tyson, a Terra deixaria de receber luz solar e mergulharia na escuridão.
Ao mesmo tempo, deixaria de existir a atração gravitacional do Sol responsável por manter o planeta na sua órbita.
A Terra deixaria de orbitar o Sol
Neste cenário impossível, o planeta deixaria de seguir a sua trajetória habitual.
Em vez de continuar em órbita, começaria a deslocar-se pelo espaço seguindo aproximadamente a direção tangencial que tinha naquele momento.
Tyson descreveu a situação como a Terra a “voar” para o espaço interplanetário.
O frio começaria rapidamente a dominar o planeta
Sem energia solar, as temperaturas começariam a descer.
A superfície da Terra perderia progressivamente o calor acumulado e o planeta tornar-se-ia cada vez mais frio.
Mas o problema mais imediato para a vida não seria apenas a temperatura.
A fotossíntese pararia
Sem luz solar, as plantas deixariam de conseguir realizar fotossíntese.
Esse processo é essencial para grande parte da vida na Terra e constitui a base de inúmeras cadeias alimentares.
Sem plantas, os animais herbívoros começariam gradualmente a desaparecer.
Depois, os predadores que dependem desses animais também ficariam sem alimento.
A cadeia alimentar começaria a colapsar
Tyson explicou o processo de forma bastante direta.
Primeiro morreriam as plantas que dependem da luz solar.
Depois seriam afetados os animais que se alimentam delas.
Por fim, os animais que dependem de outros animais também enfrentariam falta de alimento.
A maior parte da vida na superfície entraria assim num processo de colapso progressivo.
Algumas formas de vida poderiam sobreviver
Nem toda a vida desapareceria necessariamente de imediato.
Segundo Tyson, determinados microrganismos existentes no fundo dos oceanos poderiam continuar a sobreviver.
Isso acontece porque algumas destas formas de vida não dependem diretamente da energia solar.
Em vez disso, utilizam energia geoquímica proveniente de processos que ocorrem no interior da Terra.
Os humanos dependeriam das reservas de comida
Para a humanidade, a situação seria muito mais complicada.
Sem agricultura funcional e com os ecossistemas em colapso, a sobrevivência passaria a depender dos alimentos já produzidos e armazenados.
Tyson mencionou cereais, arroz e outros produtos guardados em silos como exemplos.
Enquanto existissem reservas, algumas pessoas poderiam continuar a sobreviver durante algum tempo.
O problema seria o esgotamento progressivo dos alimentos
Sem produção agrícola suficiente para substituir aquilo que é consumido, os stocks acabariam inevitavelmente por desaparecer.
O processo não significaria necessariamente que todos morreriam ao mesmo tempo.
Seria, segundo Tyson, uma exaustão gradual da quantidade total de comida disponível.
À medida que as reservas diminuíssem, cada vez menos pessoas conseguiriam sobreviver.
Até chegar ao último ser humano
O astrofísico apresentou a conclusão de forma especialmente sombria.
Sem o Sol, os sistemas que sustentam a vida humana deixariam progressivamente de funcionar.
Depois de esgotadas as últimas reservas, chegaria inevitavelmente um momento em que o último ser humano morreria.
Mas o Sol pode simplesmente desaparecer?
Não.
O próprio Tyson apresentou este cenário como uma pergunta sobre “algo impossível”.
O Sol não vai simplesmente desaparecer de um momento para o outro.
As estrelas evoluem durante períodos extremamente longos e o destino do Sol é muito diferente desta hipótese.
O Sol ainda tem milhares de milhões de anos pela frente
O Sol encontra-se aproximadamente a meio da sua vida na sequência principal.
Dentro de cerca de cinco mil milhões de anos, começará uma transformação profunda à medida que esgotar o hidrogénio no núcleo.
Acabará por expandir-se e transformar-se numa gigante vermelha.
Portanto, o cenário de desaparecimento instantâneo é apenas uma experiência mental usada para explicar física e astronomia.
Tyson também explicou o que aconteceria perto de um buraco negro
No mesmo programa, Neil deGrasse Tyson apresentou outro cenário igualmente aterrador.
Desta vez, imaginou aquilo que aconteceria a uma pessoa que se aproximasse demasiado de um buraco negro.
As forças de maré poderiam literalmente destruir o corpo
Perto de determinados buracos negros, a diferença entre a força gravitacional sentida por diferentes partes do corpo pode tornar-se enorme.
Este fenómeno é conhecido informalmente como “espaguetificação”.
A gravidade poderia puxar muito mais fortemente os pés do que a cabeça, esticando o corpo.
Tyson descreveu um cenário particularmente gráfico
Segundo o astrofísico, chegaria um ponto em que as forças seriam suficientemente intensas para separar fisicamente partes do corpo.
A partir daí, cada fragmento continuaria a sofrer forças de maré cada vez maiores.
Os fragmentos seriam novamente divididos em partes menores à medida que se aproximassem do buraco negro.
O processo seria extremamente rápido
Embora Tyson tenha apresentado a situação de forma muito gráfica, o essencial é que as forças gravitacionais extremas tornariam impossível a sobrevivência humana.
Dependendo do tamanho do buraco negro, o processo poderia acontecer antes ou depois de atravessar o horizonte de acontecimentos.
Dois cenários assustadores, mas muito diferentes
Tanto o desaparecimento do Sol como a aproximação de um buraco negro produzem imagens apocalípticas.
Mas são cenários muito diferentes.
No primeiro caso, a humanidade desapareceria gradualmente devido ao frio e ao colapso dos sistemas alimentares.
No segundo, uma pessoa seria destruída diretamente pelas forças gravitacionais extremas.
O “fim do mundo” não aconteceria como nos filmes
O mais perturbador da explicação de Tyson é precisamente o facto de a extinção humana poder não ser instantânea.
Num cenário sem Sol, haveria um período em que infraestruturas, reservas alimentares e fontes alternativas de energia ainda permitiriam alguma sobrevivência.
Mas o planeta tornar-se-ia progressivamente mais hostil.
Sem luz, sem fotossíntese e com temperaturas em queda, a vida à superfície acabaria por se tornar praticamente impossível.
Felizmente, este não é um cenário que esteja prestes a acontecer
Apesar da descrição assustadora, não existe qualquer motivo para acreditar que o Sol vá desaparecer subitamente.
A explicação de Neil deGrasse Tyson é uma experiência mental científica, não uma previsão de um acontecimento iminente.
Serve sobretudo para mostrar o quão profundamente a existência da humanidade depende de uma estrela localizada a cerca de 150 milhões de quilómetros de distância.
E a conclusão é brutalmente simples: se o Sol desaparecesse, teríamos pouco mais de oito minutos antes de perceber que o mundo que conhecemos tinha acabado para sempre.