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    Cientistas que anteciparam a era da inteligência artificial fizeram uma previsão assustadora para novembro de 2026

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    By bombastiko on 24 de Setembro, 2026 Inteligência Artificial

    Os responsáveis foram os investigadores Heinz von Foerster, Patricia M. Mora e Lawrence W. Amiot, da Universidade do Illinois, que em 1960 publicaram um estudo sobre o crescimento da população mundial e chegaram a uma conclusão tão extrema que ficou conhecida como uma espécie de previsão do “fim do mundo”.

    Naturalmente, não significa que o planeta vá acabar nessa data. O que os investigadores fizeram foi prolongar matematicamente a tendência de crescimento populacional que existia na época até ao ponto em que o modelo deixava de fazer sentido.

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    A conta apontava para 13 de novembro de 2026

    Os cientistas analisaram a evolução da população mundial ao longo de cerca de dois mil anos e repararam que o crescimento estava a acelerar de forma impressionante.

    Em 1900 existiam cerca de 1,6 mil milhões de pessoas no planeta.

    Em 1960, apenas seis décadas depois, a população aproximava-se já dos três mil milhões.

    Foi a partir dessa tendência que os investigadores construíram um modelo matemático.

    Quando prolongaram a curva, a população teórica aproximava-se de infinito precisamente a 13 de novembro de 2026.

    Os próprios cientistas sabiam que isso não aconteceria literalmente

    A referência ao “fim do mundo” era deliberadamente dramática.

    Os investigadores não estavam a dizer que um número infinito de seres humanos iria surgir subitamente no planeta.

    O modelo servia sobretudo para demonstrar que uma tendência de crescimento exponencial não poderia continuar para sempre num planeta com recursos limitados.

    Na prática, alguma coisa teria inevitavelmente de alterar a trajetória.

    “Não morrerão de fome. Serão esmagados”

    O estudo ficou também conhecido por uma frase particularmente sombria.

    Os investigadores escreveram que as gerações futuras não morreriam necessariamente de fome, mas poderiam acabar “esmagadas” pela própria densidade populacional.

    A ideia era ilustrar o problema de colocar cada vez mais seres humanos num ambiente finito.

    À medida que a densidade aumenta, argumentavam, também pode aumentar a competição por espaço e recursos.

    A tecnologia tinha permitido acompanhar o crescimento populacional

    Na visão dos autores, os avanços tecnológicos tinham conseguido, durante muitas gerações, sustentar uma população crescente.

    Melhorias na agricultura, medicina, transportes e produção de alimentos permitiram alimentar e proteger um número cada vez maior de pessoas.

    Mas os investigadores questionavam se seria possível manter esse ritmo indefinidamente.

    Segundo a sua análise, chegaria um momento em que a tecnologia deixaria de conseguir compensar um crescimento populacional cada vez mais rápido.

    A previsão falhou porque o crescimento populacional mudou

    Mais de seis décadas depois, é evidente que a tendência não continuou exatamente como o modelo previa.

    O crescimento da população mundial desacelerou significativamente em várias regiões.

    As taxas de natalidade diminuíram em muitos países, e algumas populações estão mesmo a envelhecer ou a diminuir.

    Por isso, a famosa data de 13 de novembro de 2026 deve ser entendida como o resultado de uma extrapolação matemática histórica, e não como uma previsão científica atual de uma catástrofe.

    Os autores já admitiam que alguma coisa teria de interromper a tendência

    O próprio estudo reconhecia que o crescimento acelerado não poderia continuar para sempre.

    Os investigadores escreveram que, em algum momento e de alguma forma, alguma coisa teria de acontecer para travar aquilo a que chamavam uma corrida cada vez mais rápida para a autodestruição.

    Foi precisamente isso que acabou por acontecer de forma menos dramática: o comportamento demográfico mudou.

    Porque estão estes cientistas novamente a ser associados à inteligência artificial?

    Heinz von Foerster tornou-se também conhecido pelo seu trabalho em cibernética, sistemas complexos e pela reflexão sobre máquinas, inteligência e comportamento.

    Décadas depois do estudo populacional, chegou a falar sobre inteligência artificial e alertou para o perigo de assumir que uma máquina “pensa” exatamente como um ser humano.

    Numa entrevista em 1995, defendeu que sistemas artificiais poderiam resolver problemas, mas considerava perigoso atribuir-lhes características humanas sem fundamento.

    Von Foerster alertou para a forma como falamos sobre IA

    O investigador não estava a prever ChatGPT, Claude ou outras ferramentas modernas tal como hoje existem.

    Mas estava envolvido em áreas de investigação que ajudaram a construir algumas das bases conceptuais da cibernética e da interação entre sistemas, máquinas e seres humanos.

    Na sua perspetiva, dizer simplesmente que uma máquina “pensa” poderia levar a conclusões erradas sobre aquilo que o sistema realmente faz.

    Existe uma previsão científica muito mais distante para o futuro da Terra

    Quem procura uma estimativa científica moderna sobre quanto tempo a Terra continuará habitável encontra um horizonte completamente diferente.

    Investigadores da Universidade de Toho, no Japão, em colaboração com cientistas associados à NASA, estudaram a evolução futura da atmosfera terrestre.

    O trabalho, publicado na revista Nature Geoscience, concluiu que a atmosfera rica em oxigénio da Terra deverá persistir ainda durante aproximadamente mil milhões de anos.

    O verdadeiro problema será a evolução do Sol

    A habitabilidade futura da Terra está diretamente ligada à evolução da nossa estrela.

    À medida que o Sol envelhecer, tornar-se-á gradualmente mais luminoso.

    Esse aumento de energia deverá provocar alterações profundas no clima, na química atmosférica e no ciclo do carbono.

    Muito antes de o Sol chegar às fases finais da sua vida, as condições à superfície da Terra deverão tornar-se incompatíveis com a vida complexa tal como a conhecemos.

    Não, o mundo não vai acabar a 13 de novembro de 2026

    A conclusão mais importante é esta: não existe qualquer evidência científica de que o mundo vá terminar a 13 de novembro de 2026.

    A data resulta de um modelo matemático publicado em 1960 que extrapolava uma tendência populacional que entretanto mudou profundamente.

    O próprio propósito do estudo era mostrar o absurdo de assumir que um crescimento exponencial poderia continuar indefinidamente.

    Porque é que a previsão continua a fascinar tanta gente?

    Existe, no entanto, uma coincidência impossível de ignorar.

    Os investigadores escolheram uma data tão distante que, quando o estudo foi publicado, 2026 parecia quase ficção científica.

    Agora, essa data está apenas a semanas de distância.

    E numa altura em que a humanidade enfrenta discussões sobre inteligência artificial, crescimento populacional, alterações climáticas e sustentabilidade, a velha previsão voltou a ganhar atenção.

    Uma previsão assustadora, mas não uma profecia

    O estudo dos anos 60 continua interessante precisamente porque mostra como a ciência também utiliza cenários extremos para testar os limites de uma tendência.

    O cálculo indicava que algo teria de mudar antes de 13 de novembro de 2026.

    E mudou.

    O crescimento populacional desacelerou, demonstrando que a famosa “data do fim do mundo” nunca foi uma profecia literal, mas sim o ponto onde um modelo matemático deixava de poder representar a realidade.

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