Há tendências que aparecem na internet e desaparecem no dia seguinte. Depois há outras que deixam meio mundo de boca aberta, levantam questões de segurança e fazem muita gente perguntar: “Mas quem é que se lembrou disto?”
A mais recente chama-se electrosex, também conhecida como electroestimulação erótica ou e-stim, e está a ganhar cada vez mais atenção fora dos círculos onde já era conhecida, sobretudo em comunidades ligadas ao BDSM.
O conceito, à primeira vista, parece coisa saída de uma conversa absurda entre amigos: usar correntes eléctricas de baixa voltagem para criar sensações intensas durante momentos íntimos. Mas, apesar do choque inicial, literalmente e figurativamente, a prática está a tornar-se mais popular graças à venda de dispositivos próprios para este tipo de utilização.
No caso dos homens, a electroestimulação peniana envolve a aplicação de pequenas correntes eléctricas nos nervos e músculos da zona genital. A promessa é simples, mas explosiva: aumentar a sensibilidade, intensificar as sensações e, segundo alguns utilizadores, provocar orgasmos mais fortes e até sem contacto manual directo.
Mas uma especialista em sexualidade deixou um aviso claro: isto não é uma brincadeira para fazer sem cuidado.
A tendência que saiu do BDSM e chegou ao grande público
Durante muito tempo, a electroestimulação erótica esteve sobretudo associada a ambientes mais específicos, como práticas BDSM e experiências sexuais alternativas. No entanto, a facilidade de acesso a brinquedos e acessórios feitos especificamente para este tipo de utilização está a aproximar a tendência de um público muito mais alargado.
Hoje, já existem anéis condutores em silicone, pinças, almofadas adesivas e outros dispositivos criados para transmitir impulsos eléctricos leves através da pele. A ideia é estimular terminações nervosas altamente sensíveis e criar uma sensação diferente da estimulação tradicional.
A sexóloga Becky Crepsley-Fox explicou ao Metro que também existem almofadas adesivas que podem ser colocadas nos testículos, bem como brinquedos inseríveis para uso anal ou vaginal.
Apesar de o tema estar a gerar curiosidade, a especialista sublinha que há uma grande diferença entre usar equipamento próprio, pensado para este tipo de prática, e improvisar com aparelhos eléctricos sem qualquer segurança.
Porque é que alguns homens estão tão intrigados com o electrosex?
Segundo a especialista, uma configuração comum pode envolver um contacto colocado na zona genital e outro numa área próxima, como o períneo ou a parte interior da coxa. A corrente percorre uma zona extremamente sensível, o que pode gerar uma sensação muito intensa.
No caso de pessoas com pénis, a estimulação pode também aumentar a sensação de firmeza devido à resposta física da zona. Mas há uma parte do corpo que, segundo Becky, merece especial atenção.
Os testículos podem ser particularmente sensíveis a este tipo de estímulo. A pele é fina, há muitas terminações nervosas concentradas na zona e, para algumas pessoas, até níveis baixos de corrente podem provocar sensações muito fortes.
É precisamente essa intensidade que está a deixar muitos homens curiosos. O problema é que intensidade não significa automaticamente segurança.
O aviso da especialista: fazer isto mal pode ser perigoso
Por mais que a tendência esteja a ser apresentada nas redes sociais como algo ousado, excitante ou até divertido, a verdade é que estamos a falar de electricidade aplicada ao corpo humano. E isso exige cuidado.
Becky Crepsley-Fox alertou que colocar almofadas eléctricas demasiado acima da cintura pode representar risco para o coração. A passagem da corrente por zonas erradas do corpo pode provocar perturbações cardíacas, motivo pelo qual a especialista é clara: pessoas com problemas cardíacos ou epilepsia não devem experimentar e-stim.
Além disso, existem outros riscos possíveis, incluindo espasmos musculares, danos nos nervos, queimaduras na pele e irritação. Alguns utilizadores também relatam dormência temporária ou formigueiro na zona genital depois da utilização, sobretudo quando usam níveis de potência demasiado elevados.
Outro ponto que tem sido discutido é o possível impacto no prazer sexual habitual. Há quem relate que, depois de usar regularmente electroestimulação, a masturbação convencional parece menos intensa. Isto pode acontecer porque o corpo se habitua a estímulos mais fortes e passa a responder de forma diferente a sensações mais comuns.
Segurança em primeiro lugar antes de qualquer experiência
A recomendação da especialista é directa: qualquer pessoa que queira experimentar este tipo de prática deve começar sempre pela intensidade mais baixa do dispositivo e aumentar muito gradualmente.
Também é essencial usar apenas equipamentos criados especificamente para electroestimulação erótica. Nada de improvisos, nada de soluções caseiras e nada de tentar transformar aparelhos eléctricos comuns em brinquedos sexuais. O risco simplesmente não compensa.
Antes de qualquer utilização, o dispositivo deve ser verificado para garantir que está em bom estado. Também não deve ser usado perto de água, já que a combinação entre electricidade e humidade pode aumentar perigosamente o risco de acidente.
Outro conselho importante é manter os contactos eléctricos sempre abaixo da cintura e longe da zona do coração. A prática deve ser feita com cuidado, com atenção aos sinais do corpo e, idealmente, com outra pessoa por perto na primeira experiência, caso algo corra mal.
Electrosex não é a única tendência sexual estranha a dar que falar
Apesar de o electrosex estar agora no centro das atenções, não é a única tendência sexual invulgar que surpreendeu a internet nos últimos tempos. Há outras práticas que também têm gerado curiosidade, espanto e muitas conversas nas redes sociais.
Uma delas é o toothing, descrito como uma forma de encontros sexuais anónimos com desconhecidos, normalmente em transportes ou espaços fechados, como conferências ou seminários.
Outra tendência é o shallowing, que envolve estimulação ligeira na entrada da vagina, sem penetração profunda. Pode ser praticado a solo e tem sido apresentado por algumas fontes como uma forma de explorar prazer de maneira menos invasiva.
Há ainda o sploshing, também conhecido como fetiche “wet and messy”. Envolve comida, sujidade e excitação sexual associada a esse tipo de cenário. Apesar de parecer apenas uma brincadeira estranha para alguns, também exige cuidados de higiene e segurança.
Mais recentemente, surgiu também o chamado castlecore, uma tendência inspirada em fantasia medieval, castelos, corsets e criaturas imaginárias. Em 2024, a Lovehoney identificou um aumento no interesse por acessórios ligados a este universo de fantasia.
A curiosidade é grande, mas o risco também existe
O electrosex pode estar a conquistar cada vez mais curiosos, sobretudo homens intrigados com a promessa de sensações intensas e diferentes. Mas o alerta da especialista não deve ser ignorado.
Quando se fala de electricidade aplicada ao corpo, especialmente em zonas tão sensíveis, a margem para erro deve ser levada a sério. Equipamento próprio, níveis baixos, atenção à saúde e nada de improvisações são regras essenciais.
No fim, a tendência pode até parecer ousada, moderna e provocadora. Mas uma coisa é certa: quem decidir experimentar deve fazê-lo com informação, prudência e respeito absoluto pelos riscos envolvidos.
Porque, neste caso, perder a cabeça pode sair bem mais caro do que um simples susto.
