Uma das inúmeras previsões atribuídas a Nostradamus está novamente a circular nas redes sociais depois de novos alertas vindos de uma das empresas mais importantes do setor da inteligência artificial.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, empresa responsável pelo Claude, tem vindo a alertar para o ritmo acelerado do desenvolvimento da IA e para o facto de as medidas de segurança poderem não estar a acompanhar essa evolução.
Segundo o responsável, se o progresso continuar ao ritmo atual, poderemos estar a apenas seis a 12 meses de sistemas de inteligência artificial muito mais autónomos e capazes de assumir um papel dominante em várias partes da Internet.
E foi precisamente este tipo de aviso que levou alguns utilizadores a recuperar uma antiga interpretação associada a Nostradamus.
Uma previsão de Nostradamus é agora ligada à inteligência artificial
Ao longo dos séculos, os textos de Nostradamus foram associados a guerras, mortes, catástrofes e mudanças políticas.
Mais recentemente, algumas interpretações passaram também a relacionar as suas quadras com o crescimento da inteligência artificial.
Uma das teorias que circula online sugere que o vidente francês teria antecipado um período em que máquinas ou sistemas artificiais tentariam assumir um controlo cada vez maior sobre o mundo.
Não existe, contudo, uma referência direta e inequívoca a inteligência artificial nos textos originais.
O alerta da Anthropic voltou a incendiar a teoria
Dario Amodei tem chamado a atenção para o facto de os sistemas estarem a evoluir extremamente depressa.
O CEO da Anthropic considera que as capacidades dos modelos estão a aumentar a um ritmo que pode ultrapassar a velocidade com que governos e empresas conseguem criar mecanismos adequados de proteção.
Entre as principais preocupações estão ciberataques, automação em larga escala e sistemas capazes de agir de forma cada vez mais autónoma.
IA poderá transformar a Internet muito mais depressa do que esperado
Segundo os alertas citados, Amodei considera possível que dentro de meses surjam sistemas capazes de realizar tarefas complexas na Internet com um nível de autonomia muito superior ao atual.
Esses sistemas poderiam navegar, executar ações, produzir enormes quantidades de conteúdo e interagir com serviços digitais sem necessitar de supervisão humana constante.
O risco, para alguns especialistas, está em perceber aquilo que acontece quando milhões de agentes artificiais começarem a operar simultaneamente.
O medo não está apenas numa “revolta das máquinas”
Apesar das comparações com ficção científica, o principal perigo discutido atualmente não exige necessariamente que uma IA desenvolva consciência ou decida atacar seres humanos.
Um sistema mal utilizado pode ser perigoso simplesmente porque executa tarefas de forma extremamente rápida e em grande escala.
Campanhas de desinformação, ataques informáticos, fraudes ou manipulação de mercados são alguns dos exemplos frequentemente apresentados.
A Internet já está a ficar mais difícil de distinguir entre real e falso
Nos últimos anos, a qualidade do conteúdo produzido por inteligência artificial melhorou drasticamente.
Imagens, vídeos, vozes e textos que anteriormente apresentavam erros óbvios estão cada vez mais convincentes.
Isso significa que distinguir conteúdos autênticos de conteúdos artificiais está a tornar-se mais difícil.
E o problema pode funcionar nos dois sentidos.
Não é apenas acreditar no falso, é começar a desconfiar do verdadeiro
À medida que aumenta a quantidade de conteúdo artificial, existe também o risco de as pessoas começarem a considerar falso aquilo que é verdadeiro.
Uma fotografia real pode ser descartada como sendo gerada por IA.
Um vídeo verdadeiro pode ser acusado de ser um deepfake.
Uma gravação autêntica pode deixar de ser suficiente para convencer alguém.
Esta perda de confiança poderá ser uma das consequências sociais mais profundas da tecnologia.
Há investigadores que falam mesmo em risco de extinção
Os avisos não se limitam aos impactos económicos ou sociais.
Alguns investigadores do setor consideram possível que sistemas extremamente avançados possam, num cenário extremo, representar um risco existencial para a humanidade.
Nos últimos dias, antigos investigadores da OpenAI e da Anthropic fizeram declarações particularmente alarmantes sobre essa possibilidade.
Alguns chegaram a sugerir que a tecnologia poderia colocar em risco a sobrevivência humana ainda durante esta década.
Mas não existe consenso entre especialistas
É importante sublinhar que não existe consenso científico de que uma inteligência artificial vá destruir a humanidade.
Há especialistas que consideram os riscos existenciais muito sérios.
Outros entendem que essas previsões são demasiado especulativas e defendem que é mais urgente concentrar esforços em problemas que já existem.
Entre eles estão desinformação, perda de empregos, violações de privacidade, fraude, manipulação e utilização criminosa dos sistemas.
Porque é que Nostradamus aparece sempre nestas histórias?
Nostradamus deixou centenas de quadras escritas numa linguagem extremamente vaga e simbólica.
Isso permite que diferentes gerações encontrem paralelos entre os seus textos e acontecimentos contemporâneos.
Guerras, epidemias, mortes de líderes e catástrofes naturais são frequentemente associadas retrospetivamente às suas previsões.
Agora, a inteligência artificial tornou-se mais um desses temas.
As quadras podem ser adaptadas a muitos acontecimentos
O problema é precisamente esse.
Como as previsões são pouco específicas, é possível relacioná-las com acontecimentos muito diferentes.
Uma frase sobre “máquinas”, “poder”, “homens dominados” ou “novas forças” pode facilmente ser reinterpretada séculos depois como uma referência a inteligência artificial.
Isso não significa que Nostradamus tenha efetivamente previsto sistemas como Claude, ChatGPT ou outras tecnologias modernas.
O próprio avanço da IA torna as previsões mais assustadoras
Apesar disso, os alertas recentes vindos de dentro da indústria dão uma nova força a este tipo de histórias.
Há apenas alguns anos, grande parte do conteúdo gerado por IA era facilmente reconhecível.
Hoje, a evolução é muito mais rápida.
Modelos conseguem escrever código, analisar dados, criar imagens e executar tarefas que antes exigiam profissionais especializados.
O ritmo de evolução é precisamente aquilo que preocupa Amodei
O CEO da Anthropic não está a afirmar que uma profecia de Nostradamus esteja a concretizar-se.
O seu alerta está relacionado com a velocidade do desenvolvimento tecnológico e a falta de mecanismos de segurança igualmente rápidos.
Segundo esta visão, a humanidade poderá estar a criar sistemas poderosos antes de compreender completamente como controlá-los.
Podemos estar mais perto de um ponto de viragem?
Esta é a questão que está agora a alimentar o debate.
Se sistemas muito mais autónomos começarem realmente a dominar partes da Internet dentro de seis a 12 meses, o impacto poderá ser enorme.
Não significa que a IA vá controlar o planeta.
Mas poderá significar que a forma como trabalhamos, comunicamos e consumimos informação mudará ainda mais depressa.
Nostradamus não podia saber como seria a tecnologia moderna
Michel de Nostredame morreu em 1566, séculos antes da eletricidade, computadores e Internet.
Qualquer interpretação que ligue os seus textos diretamente a inteligência artificial é, portanto, uma leitura moderna.
Não existe um texto em que ele descreva claramente algoritmos, centros de dados ou máquinas inteligentes como as conhecemos atualmente.
Mas os avisos atuais são reais, mesmo sem profecias
A parte importante da discussão não depende de Nostradamus.
Empresas e investigadores reais estão atualmente a debater questões sérias relacionadas com segurança e controlo da inteligência artificial.
O crescimento da tecnologia está a provocar mudanças sociais e económicas concretas.
Esses efeitos existem independentemente de qualquer profecia escrita há quase 500 anos.
Uma previsão vaga que encontrou o momento perfeito
Como aconteceu tantas vezes no passado, os textos de Nostradamus estão a ser reinterpretados à luz dos medos do presente.
Desta vez, esse medo chama-se inteligência artificial.
E com líderes do setor a alertarem para uma evolução extremamente rápida dos sistemas, não é difícil perceber porque certas quadras antigas voltaram a ganhar popularidade.
Mas não existe prova de que Nostradamus tenha previsto a ascensão da inteligência artificial, muito menos uma tentativa de domínio mundial por parte das máquinas.
O que existe são avisos modernos e bastante concretos de especialistas que acreditam que a tecnologia está a avançar depressa demais.
E, para quem gosta de profecias, isso foi suficiente para voltar a colocar Nostradamus no centro da conversa.