O lançamento do GPT-5.5 voltou a colocar a inteligência artificial no centro das atenções. O novo modelo promete ser mais capaz, mais autónomo e conseguir executar tarefas cada vez mais complexas. Mas, ao mesmo tempo que a tecnologia continua a evoluir a um ritmo impressionante, existe um lado muito menos visível de cada conversa com sistemas como o ChatGPT: o consumo de água e eletricidade necessário para manter toda esta infraestrutura a funcionar.
A inteligência artificial generativa passou, em poucos anos, de produzir imagens e vídeos pouco convincentes para conseguir escrever código, analisar informação, criar documentos, pesquisar online e executar tarefas que anteriormente exigiam várias ferramentas diferentes.
O problema é que toda esta capacidade depende de enormes centros de dados, servidores especializados e sistemas de refrigeração que necessitam de quantidades significativas de energia e água.
GPT-5.5 promete conseguir fazer ainda mais trabalho sozinho
Segundo a descrição apresentada pela OpenAI aquando do lançamento do GPT-5.5, o modelo foi desenvolvido para compreender mais rapidamente aquilo que o utilizador pretende e conseguir assumir uma parte maior do trabalho necessário para concluir determinadas tarefas.
A empresa destacou capacidades em áreas como programação, pesquisa online, análise de dados, criação de documentos e folhas de cálculo e utilização de diferentes ferramentas.
O objetivo passa também por reduzir a necessidade de o utilizador orientar cuidadosamente cada passo.
“O GPT-5.5 compreende mais rapidamente aquilo que estás a tentar fazer e consegue assumir uma parte maior do trabalho.”
Segundo a descrição apresentada, o modelo consegue receber uma tarefa complexa, dividida em várias partes, definir um plano, utilizar ferramentas, verificar o próprio trabalho e continuar mesmo quando existem algumas ambiguidades.
A inteligência artificial está cada vez mais presente no trabalho
Esta evolução significa que ferramentas como o ChatGPT deverão continuar a ser utilizadas para um número crescente de tarefas profissionais.
Programação, investigação, análise de informação e produção de documentos são apenas algumas das áreas onde os modelos de inteligência artificial já estão a ser integrados.
Ao mesmo tempo, esta crescente dependência da tecnologia está a alimentar discussões sobre o impacto que poderá ter no emprego e sobre o risco de algumas pessoas passarem a delegar demasiadas tarefas, incluindo algumas que anteriormente exigiam raciocínio próprio.
Mas existe outra consequência que normalmente não aparece no ecrã de quem está simplesmente a escrever uma pergunta.
Cada pergunta exige centros de dados a trabalhar nos bastidores
Quando alguém escreve uma pergunta no ChatGPT, a resposta não surge simplesmente dentro do computador ou do telemóvel do utilizador.
O pedido é processado em infraestruturas informáticas que utilizam servidores especialmente preparados para executar modelos de inteligência artificial.
Esses sistemas consomem eletricidade e geram calor.
Para impedir que os equipamentos aqueçam excessivamente, muitos centros de dados recorrem a sistemas de refrigeração que podem consumir água.
É precisamente aqui que surge uma das maiores preocupações ambientais associadas à rápida expansão da inteligência artificial.
Um simples conjunto de perguntas pode estar associado ao consumo de água
Estimativas citadas ao longo dos últimos anos sugerem que uma sequência de utilização de modelos de inteligência artificial pode estar associada a um consumo indireto significativo de água devido à refrigeração dos centros de dados e à própria produção de eletricidade.
Um dos números frequentemente citado aponta para cerca de meio litro de água por cada 10 a 50 interações, embora o consumo real possa variar bastante dependendo do modelo utilizado, localização do centro de dados, condições meteorológicas, sistema de refrigeração e origem da eletricidade.
Ou seja, não significa que cada utilizador esteja literalmente a gastar meio litro de água sempre que abre o ChatGPT.
Trata-se de uma estimativa que procura traduzir o impacto indireto das infraestruturas necessárias para processar vários pedidos.
E não é apenas água
Os sistemas de inteligência artificial também exigem grandes quantidades de eletricidade.
Segundo números citados pela Forbes, o funcionamento de serviços associados à inteligência artificial pode representar consumos energéticos muito elevados quando analisado à escala de milhões de utilizadores.
É precisamente esta combinação entre eletricidade, refrigeração e crescimento acelerado da utilização que está a aumentar a preocupação sobre o impacto ambiental dos centros de dados.
À medida que os modelos se tornam mais sofisticados e são utilizados por mais pessoas, aumenta também a necessidade de capacidade computacional.
O problema torna-se enorme quando milhões fazem perguntas ao mesmo tempo
Uma única pergunta pode representar apenas uma pequena fração do consumo total.
O problema surge quando essa operação é multiplicada por milhões ou até milhares de milhões de interações.
O ChatGPT e outras plataformas de inteligência artificial são utilizados diariamente por pessoas em todo o mundo para trabalhar, estudar, programar, criar conteúdos, procurar informação ou simplesmente fazer perguntas por curiosidade.
A escala transforma um consumo individual relativamente pequeno num desafio muito maior.
A inteligência artificial também pode ajudar a combater problemas ambientais
Existe, contudo, outro lado da discussão.
As empresas responsáveis por estes sistemas defendem que a inteligência artificial poderá também contribuir para acelerar investigação científica e encontrar soluções para problemas relacionados com energia, clima e utilização eficiente de recursos.
Entre as potenciais aplicações estão a análise de sistemas energéticos, otimização de redes elétricas, desenvolvimento de novos materiais e apoio à investigação científica.
A própria OpenAI tem desenvolvido parcerias destinadas a utilizar inteligência artificial em investigação científica, incluindo projetos relacionados com energia.
Por isso, o debate não se resume simplesmente a considerar a inteligência artificial como positiva ou negativa para o ambiente.
Centros de dados estão no centro da discussão
Grande parte da preocupação concentra-se atualmente nos centros de dados.
Estas instalações reúnem enormes quantidades de servidores que funcionam continuamente e precisam de ser mantidos dentro de determinados limites de temperatura.
Quanto maior for a procura por inteligência artificial, maior poderá ser a necessidade de construir novas infraestruturas e aumentar a capacidade das já existentes.
Isto coloca pressão adicional sobre redes elétricas e recursos hídricos, sobretudo em regiões onde a disponibilidade de água já é limitada.
Nem todas as perguntas têm exatamente o mesmo impacto
Também é importante perceber que não existe um consumo fixo por cada utilização do ChatGPT.
Uma pergunta muito simples e uma tarefa extensa que envolva análise de grandes quantidades de informação não exigem necessariamente os mesmos recursos computacionais.
O modelo utilizado, duração da resposta e infraestrutura onde o pedido é processado também podem alterar significativamente o consumo.
Por isso, números apresentados como “água utilizada por pergunta” devem ser vistos como estimativas aproximadas e não como valores universais.
A evolução da inteligência artificial tem um custo que não vemos
A chegada de modelos cada vez mais poderosos mostra até onde a inteligência artificial conseguiu evoluir em poucos anos.
Mas cada nova capacidade tem também uma infraestrutura física por detrás.
Servidores, centros de dados, sistemas de refrigeração e redes elétricas continuam a ser necessários para que uma resposta apareça no ecrã em poucos segundos.
É esse lado invisível que muitas vezes fica esquecido quando utilizamos inteligência artificial para tarefas aparentemente banais.
A próxima pergunta ao ChatGPT pode parecer gratuita, mas não é para o planeta
Para o utilizador, escrever uma pergunta e receber uma resposta pode parecer uma operação quase instantânea e sem qualquer consequência física.
Na realidade, existe uma enorme infraestrutura tecnológica a trabalhar nos bastidores.
Isso não significa que as pessoas devam deixar de utilizar inteligência artificial ou sentir culpa por cada pergunta que fazem.
Mas significa que, à medida que ferramentas como o ChatGPT se tornam parte permanente da vida quotidiana, o consumo energético e hídrico associado à inteligência artificial será uma questão cada vez mais difícil de ignorar.
O verdadeiro desafio será perceber se o aumento da eficiência dos sistemas e os potenciais benefícios proporcionados pela própria inteligência artificial conseguirão acompanhar o crescimento explosivo da sua utilização.