Um homem que afirma ter passado cerca de sete minutos em paragem cardíaca descreveu aquilo que viu enquanto os médicos tentavam reanimá-lo, e o relato é bastante diferente das histórias clássicas sobre “luz ao fundo do túnel” ou familiares já falecidos à espera.
O homem, que se identificou apenas como astrónomo e decidiu permanecer anónimo, partilhou a experiência no Reddit depois de uma publicação pedir testemunhos a pessoas que estiveram clinicamente próximas da morte e recuperaram.
Segundo o seu relato, durante aqueles minutos viu três formas ovais misteriosas aparecerem sucessivamente no meio de uma escuridão absoluta.
Tudo começou com uma grave hemorragia pulmonar
O homem contou que foi para o hospital depois de começar a sentir falta de ar.
Os médicos descobriram então que sofria de uma grave hemorragia pulmonar.
Segundo explicou, perdeu tanto sangue que o coração acabou por deixar de conseguir bombear adequadamente, entrando em paragem cardíaca.
Foi declarado um “code blue”, e a equipa médica passou cerca de sete minutos a tentar reiniciar o coração.
Durante a emergência sofreu também um AVC
O episódio teve ainda outra consequência grave.
O homem afirmou que sofreu um acidente vascular cerebral devido à falta de oxigénio no cérebro.
Acabou por recuperar os batimentos cardíacos, mas acordou entubado e apenas parcialmente consciente.
Permaneceu nesse estado durante aproximadamente dois dias antes de recuperar totalmente a consciência.
Uma das primeiras perguntas que conseguiu fazer foi simplesmente: “O que aconteceu?”
A primeira coisa que viu foi uma forma oval suspensa no escuro
Segundo o seu relato, a experiência começou com uma forma semelhante a uma elipse suspensa numa escuridão completa.
A figura parecia estar na vertical, como se estivesse pendurada por um ponto invisível, e tinha espessura suficiente para se assemelhar a um anel.
No interior e exterior dessa estrutura, dizia conseguir ver montanhas, riachos, florestas e nuvens.
Inicialmente, considerou a imagem extremamente bonita.
Depois, as cores começaram a mudar
A tranquilidade da primeira visão não durou muito tempo.
Segundo o homem, as cores começaram gradualmente a ganhar uma tonalidade amarelada.
Depois disso, a primeira elipse desapareceu.
Mais tarde, interpretou essa mudança de cor como uma possível representação do estado do seu cérebro durante a deterioração provocada pela falta de oxigénio.
A segunda visão parecia um anel de ferro incandescente
Logo depois surgiu uma segunda forma oval.
Desta vez, descreveu-a como algo semelhante a um anel de ferro vermelho e extremamente quente.
Partes da estrutura pareciam desfazer-se à medida que arrefecia, até desaparecer completamente na escuridão.
Foi precisamente durante esta fase que afirma ter sentido algo particularmente estranho.
Diz ter sentido cheiro a ferro
O homem recorda-se de ter sentido um forte cheiro metálico, semelhante a ferro.
Depois de recuperar, comentou o episódio com uma enfermeira.
Segundo contou, ela explicou-lhe que o sangue pode produzir um cheiro metálico bastante característico.
O astrónomo acredita agora que o cérebro poderá ter incorporado estímulos reais do ambiente hospitalar naquela visão enquanto ele permanecia inconsciente.
Para ele, esta segunda elipse poderá corresponder precisamente ao período em que estava em paragem cardíaca.
A terceira forma apareceu quando tudo começou a ficar mais claro
A última visão foi muito diferente.
O ambiente começou a ganhar luminosidade e surgiu uma terceira elipse.
Esta estava coberta por nuvens em tons de rosa-claro e azul, fazendo-o lembrar de um nascer ou pôr do Sol.
O homem acredita que esta visão poderá ter coincidido com o momento em que o coração começou novamente a bater.
Mas porque viu precisamente três elipses?
A resposta, segundo o próprio, poderá estar naquilo que vinha a ocupar a sua mente nas semanas anteriores à emergência médica.
Como astrónomo, estava a estudar Johannes Kepler e a sua obra Astronomia Nova.
Em particular, tentava compreender como Kepler chegou à conclusão de que as órbitas dos planetas são elípticas e não perfeitamente circulares.
Segundo explicou, essa forma geométrica esteve constantemente presente nos seus pensamentos durante semanas.
O cérebro poderá ter recorrido a imagens já muito presentes na sua memória
O próprio homem acredita que, durante a crise, o cérebro poderá simplesmente ter recorrido a essa imagem familiar.
Para ele, a primeira e a terceira elipses representavam elementos que valorizava profundamente, como a natureza, o planeta e o céu.
A segunda estaria relacionada com o cheiro de sangue e com a situação física que atravessava naquele momento.
Quando acordou, as três imagens continuavam, segundo contou, perfeitamente gravadas na memória.
Não viu qualquer túnel de luz
Um dos aspetos mais curiosos do testemunho é precisamente aquilo que não aconteceu.
O homem afirmou que não viu qualquer túnel iluminado.
Também não viu familiares falecidos, figuras religiosas ou qualquer presença que o estivesse aparentemente a receber.
“Foi tudo o que vi. Não houve túnel de luz nem familiares falecidos felizes à minha espera.”
Diz que nunca sentiu medo
Apesar da gravidade daquilo que estava a acontecer ao seu corpo, o astrónomo afirma que a experiência foi estranhamente calma.
Descreveu-se como um “observador imparcial” daquilo que estava a ver.
Não sentia medo, dor ou ansiedade.
Para ele, essa tranquilidade acabou por ser uma das partes mais marcantes da experiência.
A experiência mudou completamente a forma como encara a morte
Depois de recuperar, o homem afirma ter deixado de sentir medo da morte propriamente dita.
Continua a recear aquilo que pode acontecer antes, como doença, acidentes, dor ou sofrimento prolongado.
Mas a ideia de morrer deixou de o assustar da mesma forma.
“Por dentro, tudo estava calmo. Sem dor, sem desconforto, sem preocupações.”
“Morrer é fácil”, afirma
A experiência levou-o a uma conclusão muito pessoal.
Segundo escreveu, acidentes e doenças podem provocar sofrimento terrível, mas o momento da morte, pelo menos tal como o viveu, foi completamente diferente.
“Não tenho medo de morrer. Tenho medo do que vem antes, claro, mas a natureza torna a morte fácil.”
Ficou apenas com uma pequena alteração na memória
O homem afirma que a principal consequência permanente da paragem cardíaca foi uma ligeira redução da memória de curto prazo.
Apesar do AVC e da falta de oxigénio sofrida durante a emergência, conseguiu recuperar e regressar à vida quotidiana.
Experiências de quase-morte continuam a intrigar cientistas
Relatos deste género são frequentemente conhecidos como experiências de quase-morte.
Algumas pessoas descrevem túneis, luz intensa, sensação de sair do corpo ou encontros com familiares já falecidos.
Outras, como este homem, relatam imagens completamente diferentes.
Não existe uma explicação única para todas estas experiências, e investigadores têm estudado fatores como falta de oxigénio, alterações na atividade cerebral, memória, medicamentos e estímulos do ambiente.
O relato não prova que exista vida depois da morte
Embora a história seja fascinante, trata-se de um testemunho pessoal e não de uma demonstração científica sobre aquilo que acontece depois da morte.
O próprio homem apresenta uma explicação ligada ao funcionamento do cérebro.
Na sua interpretação, as formas elípticas poderão ter surgido porque estava profundamente concentrado nelas antes da emergência, enquanto outros elementos das visões podem ter sido influenciados por estímulos reais do hospital.
Sete minutos que mudaram completamente a forma como vê a vida
Para o astrónomo, porém, pouco importa se as três elipses foram uma construção do cérebro, consequência da falta de oxigénio ou resultado de outros processos neurológicos.
O impacto psicológico foi profundo.
Depois de sobreviver a uma hemorragia pulmonar, uma paragem cardíaca e um AVC, ficou com uma convicção que mantém até hoje.
Durante aqueles sete minutos não viu um túnel, não encontrou familiares e não sentiu medo. Viu apenas três misteriosas formas suspensas no escuro e uma calma que acabou por mudar para sempre a forma como encara a própria morte.