Um ataque nuclear continua a ser um cenário extremamente raro, mas especialistas em saúde pública e preparação para emergências explicam que os primeiros minutos podem ser decisivos para reduzir a exposição à radiação e aumentar as hipóteses de sobrevivência.
As recomendações passam essencialmente por duas ações: afastar-se rapidamente da zona de maior perigo, quando isso for possível em segurança, e procurar abrigo num edifício sólido antes da chegada de partículas radioativas transportadas pelo vento.
Há ainda uma série de cuidados importantes para as horas seguintes, incluindo retirar a roupa usada no exterior, tomar banho e, curiosamente, não utilizar amaciador de cabelo.
Os primeiros minutos são os mais importantes
Segundo especialistas citados pelo Johns Hopkins Center for Health Security e pelo Business Insider, a exposição à radiação proveniente da precipitação radioativa diminui com o passar do tempo.
É precisamente por isso que as decisões tomadas imediatamente após uma explosão podem fazer uma enorme diferença.
O especialista em saúde pública Irwin Redlener, da Universidade de Columbia, explicou que, caso uma pessoa esteja numa zona onde ainda seja possível deslocar-se em segurança, deverá tentar afastar-se da direção para onde o vento está a transportar a nuvem de partículas.
“Deves ir na direção oposta ao vento. Afasta-te o máximo que conseguires nos primeiros 10 a 15 minutos e depois procura imediatamente abrigo antes de a nuvem radioativa chegar.”
Primeira regra: procurar abrigo o mais rapidamente possível
Depois de uma explosão nuclear, uma das prioridades é entrar num edifício sólido.
Escolas, escritórios e outros edifícios robustos podem oferecer maior proteção do que permanecer no exterior.
Os locais mais recomendados são aqueles com poucas ou nenhumas janelas, especialmente zonas interiores e caves.
Contudo, se não existir um edifício ideal por perto, qualquer estrutura poderá ser preferível a permanecer completamente exposto no exterior.
Fica longe das janelas
As ondas de choque provocadas por uma explosão podem partir vidros a vários quilómetros de distância.
Por isso, quem estiver dentro de um edifício deve afastar-se das janelas e procurar uma zona central ou subterrânea.
Além de reduzir o risco provocado por vidros e destroços, as paredes e materiais do edifício também podem ajudar a reduzir a exposição às partículas radioativas no exterior.
Segunda regra: proteger-te imediatamente da explosão
Antes mesmo de procurar abrigo, especialistas aconselham a proteger os olhos da intensa luz produzida por uma explosão nuclear.
Olhar diretamente para o clarão pode provocar lesões oculares.
O CDC recomenda ainda baixar-se ou deitar-se no chão com o rosto virado para baixo.
As mãos podem ser colocadas por baixo do corpo para ajudar a proteger a face contra destroços projetados pelo impacto ou queimaduras.
Não saias imediatamente depois da explosão
Depois de encontrar um local protegido, uma das decisões mais importantes é permanecer dentro do edifício.
A precipitação radioativa pode começar a depositar partículas perigosas no solo, nos edifícios, na roupa e na pele.
Sair demasiado cedo pode aumentar desnecessariamente a exposição.
As autoridades recomendam normalmente permanecer abrigado e seguir as instruções dos serviços de emergência através de rádio, televisão ou comunicações oficiais.
Nas primeiras 24 horas, ficar dentro de casa é fundamental
Segundo as recomendações citadas, as pessoas devem permanecer no interior durante o período inicial após a explosão, especialmente enquanto existir risco significativo de precipitação radioativa.
Se possível, deve escolher-se uma divisão interior, uma cave ou outra zona com várias paredes entre a pessoa e o exterior.
Se estiveste no exterior, tira a roupa
Quem tenha sido apanhado no exterior durante ou após uma explosão deve retirar cuidadosamente a camada exterior da roupa antes de entrar completamente na área protegida.
Segundo a American Red Cross, esta medida poderá remover uma grande parte das partículas radioativas que ficaram depositadas na roupa.
A organização refere que retirar as camadas exteriores pode eliminar até cerca de 90% da contaminação radioativa externa.
Coloca a roupa longe das outras pessoas
A roupa retirada não deve ser deixada espalhada pela casa.
O ideal é colocá-la cuidadosamente num saco ou recipiente que possa ser fechado e mantê-la afastada de pessoas e animais.
O objetivo é evitar que partículas potencialmente contaminadas se espalhem pelo espaço interior.
Depois, toma banho
Outra recomendação importante é lavar o corpo assim que for possível.
A Cruz Vermelha norte-americana aconselha um duche com água morna e bastante sabão para ajudar a remover partículas radioativas da pele.
No entanto, não é recomendável esfregar agressivamente a pele.
Arranhões ou irritação podem danificar a barreira natural da pele.
Não consigas tomar banho? Usa um pano húmido
Se não houver água corrente ou se não for possível tomar banho, as zonas expostas da pele podem ser limpas cuidadosamente com um pano limpo e húmido.
Deve ser dada especial atenção às mãos, rosto e outras partes que estiveram diretamente expostas.
Podes lavar o cabelo, mas há um produto que deves evitar
O cabelo também deve ser lavado com água e champô.
No entanto, especialistas fazem uma recomendação que poderá surpreender muita gente: não utilizar amaciador de cabelo.
Porque não se deve usar amaciador?
Segundo a American Red Cross, determinados ingredientes presentes no amaciador podem fazer com que partículas radioativas adiram mais facilmente ao cabelo.
Em vez de ajudar a removê-las, o produto poderá dificultar a sua eliminação durante a lavagem.
Por esse motivo, a recomendação é simples: água e champô, mas sem amaciador.
O que fazer nos primeiros 45 minutos?
De forma resumida, as duas prioridades são:
- Proteger-te da explosão e procurar rapidamente um edifício sólido, afastando-te das janelas e procurando uma zona interior ou subterrânea.
- Evitar a exposição à precipitação radioativa, permanecendo no interior e, caso tenhas estado no exterior, retirando a roupa contaminada e lavando a pele e o cabelo.
Não tentes conduzir grandes distâncias se já houver precipitação radioativa
Embora afastar-se da área de perigo possa ser importante nos primeiros momentos, procurar abrigo rapidamente torna-se prioritário quando existe risco de precipitação radioativa.
Ficar preso num automóvel pode oferecer muito menos proteção do que entrar num edifício sólido.
Por isso, as instruções das autoridades locais devem ser sempre seguidas sempre que estiverem disponíveis.
Hiroshima e Nagasaki continuam a ser os únicos ataques nucleares em guerra
As únicas armas nucleares utilizadas contra populações durante uma guerra foram lançadas pelos Estados Unidos sobre o Japão em agosto de 1945.
A primeira atingiu Hiroshima a 6 de agosto e a segunda, conhecida como “Fat Man”, foi lançada sobre Nagasaki a 9 de agosto.
Mais de 100 mil pessoas morreram inicialmente, e muitas outras perderam a vida posteriormente devido a ferimentos, queimaduras e efeitos da radiação.
Um ataque nuclear continua a ser extremamente raro
Apesar da gravidade destas recomendações, não significam que exista necessariamente um ataque nuclear iminente.
São orientações de preparação para uma emergência de probabilidade muito reduzida, mas potencialmente devastadora.
Tal como acontece com incêndios, terramotos ou outros desastres, conhecer antecipadamente os procedimentos pode evitar decisões perigosas em momentos de pânico.
Os primeiros minutos podem fazer toda a diferença
Num cenário nuclear, não existe uma solução que elimine completamente o risco.
Mas especialistas insistem que distância, abrigo e tempo são fatores essenciais para reduzir a exposição.
Proteger os olhos e o corpo durante a explosão, entrar rapidamente num edifício sólido, manter-se longe das janelas e permanecer abrigado enquanto a radiação no exterior diminui são algumas das medidas mais importantes.
E se tiver havido exposição no exterior, há outra regra fácil de recordar: tirar a roupa exterior, tomar banho com água e sabão e lavar o cabelo sem utilizar amaciador.