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    Cientistas calcularam uma data exata para o “fim do mundo” e está agora assustadoramente perto

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    By bombastiko on 2 de Outubro, 2026 Actualidade

    Durante décadas, previsões sobre o “fim do mundo” surgiram através de profecias religiosas, teorias sobre guerras nucleares, alterações climáticas ou, mais recentemente, inteligência artificial.

    Mas uma das previsões mais curiosas não nasceu de uma profecia.

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    Nasceu de um artigo científico publicado nos anos 60.

    E esse estudo acabou por apontar uma data muito específica: sexta-feira, 13 de novembro de 2026.

    O estudo tinha mesmo “Doomsday” no título

    O artigo chamava-se “Doomsday: Friday, 13 November, A.D. 2026” e foi liderado pelo físico Heinz von Foerster.

    O objetivo dos investigadores era analisar a forma como a população mundial tinha crescido ao longo de vários séculos e perceber se essa tendência poderia continuar indefinidamente.

    Para isso, utilizaram estimativas populacionais desde cerca da época de Jesus até 1958.

    Os números mostravam um crescimento cada vez mais rápido

    Os investigadores repararam que a população mundial não estava apenas a aumentar.

    Na altura, parecia estar a crescer a um ritmo cada vez mais acelerado.

    Ao prolongarem matematicamente essa trajetória, chegaram a um resultado impossível: em determinado momento, a população teórica aproximava-se do infinito.

    Esse ponto surgia precisamente em 13 de novembro de 2026.

    Foi daí que nasceu a ideia de “Doomsday”

    Von Foerster explicou posteriormente que chamou a essa data “Doomsday” porque, segundo a fórmula, o número de pessoas tenderia para infinito.

    A conclusão era deliberadamente extrema.

    O investigador chegou a resumir a ideia de forma sombria, afirmando que as gerações futuras não morreriam necessariamente de fome, mas seriam “esmagadas” pela própria densidade populacional.

    Mas os cientistas não acreditavam literalmente num número infinito de pessoas

    A data não significava que biliões e biliões de pessoas apareceriam subitamente na Terra.

    O objetivo do modelo era mostrar que uma tendência de crescimento daquela dimensão não poderia continuar para sempre num planeta finito.

    Em algum momento, fatores sociais, económicos, ambientais ou demográficos teriam obrigatoriamente de alterar o crescimento.

    Há ainda um detalhe curioso: a data poderá ter sido escolhida de propósito

    Mais tarde, surgiu a explicação de que 13 de novembro era o aniversário de Heinz von Foerster.

    Isso levou vários autores a sugerirem que a escolha exata da data também tinha um elemento de humor.

    Ou seja, apesar do título dramático, o estudo não deve ser lido como uma verdadeira profecia de destruição planetária.

    A previsão começou a falhar décadas antes de 2026

    O problema tornou-se evidente quando a realidade deixou de acompanhar a curva prevista.

    O crescimento da população mundial começou a abrandar.

    Segundo o artigo, por volta de 1993 a população real já estava abaixo da trajetória prevista pelo modelo original.

    Isso significa que a base matemática que levaria ao “Doomsday” de 2026 já tinha deixado de corresponder à realidade.

    A taxa de natalidade mundial caiu fortemente

    Outra diferença enorme entre os anos 60 e hoje é a natalidade.

    A taxa de natalidade global atual é significativamente inferior à registada naquela época.

    Em várias partes do mundo, o problema já não é crescimento explosivo, mas precisamente o contrário: baixa natalidade, envelhecimento populacional e diminuição da população.

    Porque é que o modelo parecia tão convincente na época?

    Quando o estudo foi elaborado, os investigadores estavam perante um período de crescimento populacional muito intenso.

    Se uma tendência exponencial for prolongada indefinidamente, os números acabam inevitavelmente por explodir.

    Mas tendências sociais não são constantes.

    Fatores como urbanização, educação, acesso a contraceção, alterações económicas e mudanças culturais podem reduzir drasticamente o número médio de filhos por família.

    O estudo acabou por demonstrar precisamente o limite das extrapolações

    Esta é talvez a parte mais interessante do trabalho.

    O modelo não falhou porque a matemática estivesse necessariamente errada.

    Falhou porque a realidade mudou.

    Ao prolongar uma tendência sem considerar futuras alterações no comportamento humano, qualquer previsão pode acabar por produzir resultados absurdos.

    13 de novembro de 2026 está agora muito próximo

    Quando o estudo foi publicado, essa data parecia pertencer a um futuro extremamente distante.

    Agora, porém, está apenas a poucas semanas de distância.

    É precisamente isso que voltou a colocar o artigo em destaque.

    A ideia de que cientistas dos anos 60 escreveram literalmente “Doomsday” ao lado de uma data de 2026 é suficiente para voltar a despertar curiosidade.

    Não existe qualquer evidência de que o mundo vá acabar nessa sexta-feira

    Apesar do título assustador, não existe qualquer base científica atual para acreditar que o mundo vá terminar a 13 de novembro de 2026.

    A previsão resulta de uma extrapolação populacional feita há mais de seis décadas.

    A própria trajetória prevista deixou de corresponder aos dados reais muitos anos antes de chegar à data final.

    O verdadeiro significado do “Doomsday” era outro

    A palavra funcionava sobretudo como uma forma provocadora de ilustrar um limite matemático.

    Se a população continuasse a crescer ao ritmo projetado, o modelo acabaria por chegar a um ponto impossível.

    Portanto, alguma coisa teria necessariamente de mudar antes disso.

    E foi exatamente isso que aconteceu.

    A humanidade não seguiu a curva que os cientistas projetaram

    O crescimento populacional desacelerou, as taxas de natalidade caíram e os padrões demográficos mudaram profundamente.

    Por isso, a sexta-feira 13 de novembro de 2026 é muito mais interessante como curiosidade histórica da ciência do que como uma verdadeira previsão apocalíptica.

    A data está assustadoramente próxima, mas a própria realidade já desmontou há décadas o cenário que lhe deu origem.

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